
Descobrir qual dentre os nove tipos de personalidade nos pertence pode ser como uma revolução.
Pela primeira vez na vida, temos a oportunidade de conhecer o padrão e a lógica subjacente ao modo como vivemos e agimos. Porém, ao chegar a determinado ponto, o conhecimento de nosso tipo se incorpora à nossa auto-imagem e pode transformar-se em obstáculo à continuação de nosso crescimento.
Com efeito, alguns estudiosos do Eneagrama ficam presos demais ao seu tipo e personalidade, dizendo:” Claro que eu entro em paranóia! Afinal, sou do tipo Seis” ou “ Você sabe como somos nós do Tipo Sete; não conseguimos ficar parados!” Justificar atitudes questionáveis ou adotar uma identidade mais rígida é usar mal o Eneagrama.
Porém, ajudando-nos a ver como estamos presos a nossas ilusões e o quanto nos afastamos de nossa natureza Essencial, o Eneagrama nos convida a desvendar o mistério de nossa verdadeira identidade. Ele se destina a iniciar um processo de questionamento que pode levar-nos a uma verdade mais profunda sobre nós e sobre nosso lugar no mundo. Entretanto, se usarmos o Eneagrama simplesmente para atingir uma auto-imagem melhor, interrompemos o processo de descoberta(ou melhor, de resgate) de nossa verdadeira natureza. Se conhecendo nosso tipo obtemos informações importantes, elas devem ser apenas o ponto de partida para uma jornada muito maior. Em resumo, saber qual o nosso tipo não é o nosso destino final.
O objetivo deste trabalho é interromper as reações automáticas da personalidade por meio da conscientização. Só distinguindo e compreendendo os mecanismos da personalidade poderemos despertar. Quanto mais percebermos as reações mecânicas de nossa personalidade, menor a nossa identificação com elas e maior a nossa liberdade. É disso que trata o Eneagrama.
As pessoas podem mudar e desenvolver-se de muitas maneiras, mas não passam de um tipo de personalidade a outro.
B) As descrições dos tipos de personalidade são universais e aplicam-se tanto a homens quanto a mulheres. Evidentemente, as pessoas expressam os mesmos traços, atitudes e tendências de modo um tanto diferente, mas as questões básicas do tipo permanecem as mesmas.
C) Nem tudo na descrição de seu tipo básico se aplicará a você todo o tempo. Isso ocorre porque nós constantemente transitamos entre os traços saudáveis, médios e não saudáveis que compõe nosso tipo de personalidade. Lembrando que o amadurecimento e o stress podem influir significativamente sobre nossa forma de expressar o tipo a que pertencemos.
D) Embora tenhamos atribuído a cada tipo um título descritivo (como Perfeccionista, Aventureiro, etc) na prática preferimos utilizar o número correspondente no Eneagrama. Os números são neutros –são um modo de referência rápida e não preconceituosa aos tipos. Além disso, a seqüência numérica dos tipos não é significativa: tanto faz pertencer a um tipo de número menor quanto a um de número maior.(Por exemplo, não é melhor ser do tipo Nove que do tipo Um).
E) Nenhum tipo de personalidade é melhor ou pior que os demais – todos têm pontos fortes e fracos, todos têm trunfos e desvantagens específicos. O que pode acontecer é que determinados tipos sejam mais valorizados que outros numa dada cultura ou grupo. À medida que você aprender mais sobre todos eles, verá que, da mesma forma que cada um tem qualidades intrínsecas, tem também limitações características.
F) Independente de qual seja o seu tipo, você tem em si, até certo ponto, algo dos nove tipos. Cultiva-los em ação é ver em si mesmo tudo que pode haver na natureza humana. Essa conscientização o levará a uma maior compreensão e compaixão pelos seus semelhantes, pois o fará reconhecer em si próprio várias facetas dos hábitos e reações deles. Será mais difícil condenarmos a agressividade do Tipo Oito ou a carência disfarçada do Tipo Dois , por exemplo, se estivermos atentos à agressividade e à carência que existem em nós mesmos. Investigando os nove tipos que há em você, você verá que eles são tão interdependentes quanto o símbolo do Eneagrama os representa.
G) O fato de sabermos qual o nosso tipo ou o de outra pessoa pode nos revelar coisas muito importantes, mas não nos diz tudo. O tipo em si não diz nada da história, da inteligência, do talento, da honestidade, da integridade, do caráter da pessoa nem muitos outros fatores referentes a ela. Por outro lado, ele nos diz muita coisa acerca da forma como vemos o mundo, nossas escolhas mais prováveis, nossos valores, nossas motivações, nossas reações, nosso comportamento em situações de stress e várias outras coisas importantes.
Sabemos que o homem é uma organização complexa. É formado de quatro partes que podem estar ligadas, não ligadas ou mal ligadas. Comparando-o a uma carruagem, ficaria da seguinte forma:
COCHEIRO = Intelecto/Mente
CAVALO = Emoções/Emocional
CARRUAGEM = Corpo/Físico
AMO = Ser Interno/Eu Real
A carruagem está ligada pelos varais, o cavalo ao cocheiro pelas rédeas e o cocheiro a seu amo pela voz de seu amo.
Mas o cocheiro deve ouvir e compreender a voz do amo deve saber conduzir; e o cavalo deve ser treinado para obedecer às rédeas.
O trabalho em nós deve começar pelo cocheiro. O cocheiro é o intelecto. A fim de poder ouvir a voz do amo (Ser Interno, Eu Real), o cocheiro, antes de tudo, não deve estar adormecido, deve estar desperto, atento, para que consiga ouvir a voz de seu amo. Mas isto não basta; ele deve também aprender a conduzir, a atrelar e a alimentar o cavalo, a cuidar dele e a conservar bem a carruagem, porque de nada serviria compreender seu amo, se não estivesse em condições de fazer o que quer que fosse. O amo dá a ordem de partida. Mas o cocheiro é incapaz de arrancar porque o cavalo não foi alimentado, não foi atrelado e o cocheiro não sabe onde estão as rédeas. O cavalo são as emoções. A carruagem é o corpo físico. O intelecto deve aprender a comandar as emoções. As emoções arrastam sempre o corpo atrás delas.
Há um longo caminho para organizar essa complexidade que somos nós, mas é necessário começarmos...
Meu ideal de vida é que todos nós venhamos a conseguir!
Texto adaptado de: Marilena Rodriguez - Terapeuta Holística
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